Falso advogado: R$ 2 milhões perdidos e quadrilha presa no Ceará
Uma idosa do Paraná perdeu R$ 2 milhões para golpistas que se passavam pelo advogado dela. Como o golpe funcionava e como a polícia chegou ao Ceará.
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou a Operação Disque 151 para desarticular uma organização criminosa que explorava plataformas ilegais de apostas e cassinos virtuais. A investigação teve início a partir de denúncias no Procon-SP e revelou esquemas de falsos cassinos e falsas tarefas remuneradas.
0:00:00 Sara: Pera, Samurai... A pessoa joga no cassino virtual, ganha dinheiro na tela, mas na hora de sacar o sistema trava e ainda exige mais dinheiro?!
0:00:09 Samurai: Exatamente isso, Sara. É a clássica isca seguida de extorsão. E quem conta os detalhes dessa engrenagem é a própria polícia: a vítima entra numa furada imensa que consome todas as economias. Eu sou o Samurai, e este é o CyberJustiça. Na manhã de terça-feira, treze de outubro de dois mil e vinte e seis, a Polícia Civil de São Paulo deflagrou a Operação Disque cento e cinquenta e um para desarticular uma quadrilha perigosa.
0:00:38 Sara: Por que esse nome, Disque cento e cinquenta e um, Samurai?
0:00:41 Samurai: Porque a investigação começou justamente no cruzamento de queixas feitas por consumidores no Procon de São Paulo, através daquele número tradicional de atendimento telefônico, o cento e cinquenta e um, Sara. O caso foi conduzido pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais, o Deic, especificamente pela terceira delegacia da divisão de investigações gerais, junto com o Ministério Público de São Paulo através do Gedec. Eles precisaram destrinchar milhares de dados e relatórios financeiros complexos para entender o tamanho desse esquema clandestino que operava livremente na internet.
0:01:15 Sara: Nossa! E o alcance disso foi grande mesmo?
0:01:19 Samurai: ...Gigantesco. A investigação aponta que mais de dez milhões de apostadores e potenciais vítimas tiveram algum tipo de relação com essas plataformas ilegais. Anota esse número aí, porque ele mostra o buraco sem fundo que essas empresas representam. A organização criminosa operava basicamente por meio de duas plataformas muito divulgadas em redes sociais, capturando pessoas que buscavam renda rápida.
0:01:43 Sara: Quais eram elas, Samurai?
0:01:45 Samurai: A primeira era o cassino virtual chamado FortuneSlots. A promessa era de lucros fáceis e rápidos, simulando um ambiente de apostas oficial, mas tudo não passava de uma armadilha digital programada para roubar o usuário. A vítima depositava via Pix e, no começo, a plataforma creditava pequenos pagamentos na conta da pessoa só para dar credibilidade e estimular novos investimentos maiores. Quando a vítima acumulava saldo na tela e pedia um saque expressivo, o sistema travava de vez, recusando a transferência dos valores legítimos.
0:02:19 Sara: E aí vinha a cobrança para liberar o dinheiro, né?
0:02:22 Samurai: Exatamente, Sara. O golpista inventava regras absurdas, exigindo novos pagamentos e taxas extras sob a desculpa de desbloquear os ganhos acumulados, valores que na verdade nunca eram liberados e sumiam para sempre. Para se proteger, lembre-se: nenhuma plataforma legítima exige novos depósitos ou taxas para liberar valores que você já tem em saldo. Se exigirem pagamento para saque, interrompa imediatamente os depósitos. A segunda frente da quadrilha utilizava a plataforma ThinkTV, focada na modalidade de falso emprego e tarefas on-line para enganar quem precisava trabalhar.
0:03:00 Sara: Deixa adivinhar... Tinha que pagar pra ter o direito de trabalhar, né?
0:03:04 Samurai: Bingo, Sara. O site prometia remuneração por tarefas simples, como assistir a vídeos, avaliar conteúdos e curtir páginas na internet, mas exigia um depósito inicial via Pix só para liberar o acesso ao painel de trabalho. Conforme os ganhos apareciam na tela e a pessoa via o saldo fictício crescer, ela era orientada a fazer novos aportes financeiros sob o pretexto de conseguir sacar o valor acumulado. No fim, o dinheiro ficava permanentemente bloqueado e a vítima não conseguia reaver nem a quantia investida, nem os supostos ganhos gerados pelas tarefas. Sabe para quem ia todo esse dinheiro tirado das vítimas, você aí que tá ouvindo e acha que transação digital é tudo rastreável na hora?
0:03:47 Sara: Para contas de fachada, imagino que sim, para despistar a polícia.
0:03:51 Samurai: Exato. Os depósitos via Pix feitos pelas vítimas iam direto para as chamadas contas-bolsão, que operavam sem uma titularidade direta ou definida, dificultando o rastreio inicial pelas autoridades. No final de cada dia, todo o montante acumulado nessas contas era enviado em uma única transação para uma segunda conta centralizadora do mesmo tipo. Depois disso, o dinheiro era pulverizado em dezenas de contas intermediárias de terceiros e de pessoas jurídicas, formando empresas de fachada complexas. Esse processo servia justamente para despistar os rastreadores financeiros e remunerar os beneficiários ocultos do esquema criminoso, que ostentavam com o dinheiro roubado dos apostadores. A operação coordenada cumpriu três mandados de prisão temporária e seis mandados de busca e apreensão, além de autorizar quebras de sigilo bancário e telemático.
0:04:45 Sara: Houve prisões efetivas e bloqueios expressivos de bens?
0:04:49 Samurai: Sim, três pessoas foram detidas, sendo dois homens e uma mulher, nos endereços alvos situados na capital paulista e no município de Mogi das Cruzes, na região metropolitana. Vale ressaltar que os nomes dos suspeitos não foram divulgados pelas autoridades policiais para não atrapalhar a continuidade das diligências e a identificação de novos integrantes. E chegamos ao ponto que eu guardei para o final, cumprindo a nossa promessa: a Justiça autorizou medidas de bloqueio patrimonial de bens e valores de até cento e cinquenta e quatro milhões de reais.
0:05:24 Sara: Cento e cinquenta e quatro milhões de reais! Caramba, é uma fortuna monumental!
0:05:29 Samurai: É um valor expressivo, mas vale lembrar que esse é o teto máximo autorizado pela Justiça, e não significa que todo esse montante já esteja recuperado ou apreendido. A investigação continua totalmente ativa no Deic, focando agora na análise do material digital apreendido e no aprofundamento do fluxo bancário. Se você foi vítima desse tipo de golpe, registre imediatamente um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil, acione o Procon e notifique o seu banco para tentar o mecanismo de devolução via Pix. O passo a passo detalhado para recuperar o que der está em cyberjus ponto org, na página Fui vítima. Lembra daquele sistema que travava o saque e pedia mais dinheiro para liberar o saldo? Nunca caia nessa armadilha de falso ganho fácil. Manda este episódio para alguém que precisa abrir os olhos com falsas promessas de investimentos e apostas on-line. Até a próxima.
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