ativo Ameaça alta Fraudes digitais

Central clandestina de Jarinu: o golpe do falso gerente

EP 05 8:39 Caso de Julho a outubro de 2026

Baixar 7 MB

Sobre o episódio

A Polícia Civil de São Paulo desarticulou uma central telefônica clandestina montada em uma chácara no município de Jarinu, no interior paulista. Seis homens, com idades entre vinte e vinte e sete anos, foram presos em flagrante pelos crimes de organização criminosa e fraude eletrônica.

No local, os agentes do Setor de Investigações Gerais (SIG) de Carapicuíba apreenderam vinte e nove celulares, vinte e seis chips telefônicos, dois veículos e cadernetas com anotações e dados de correntistas. A apuração teve início após uma vítima relatar um prejuízo de mais de R$ 53 mil em transferências via Pix.

Os criminosos atuavam em horário comercial simulando o contato de gerentes de instituições financeiras para induzir vítimas a entregar senhas de acesso bancário. O caso segue em andamento com a identificação de novos lesados.

Capítulos

Pontos principais

  • Desarticulação de central clandestina em chácara de Jarinu pela Polícia Civil de São Paulo.
  • Apreensão de 29 celulares, 26 chips telefônicos e anotações com dados de correntistas.
  • Prisão em flagrante de 6 homens operando ligações e transferências fraudulentas.
  • Prejuízo documentado de R$ 53,1 mil sofrido por uma correntista via Pix.
  • Divisão de funções com pagamento de percentual do golpe para operadores.

Como se proteger

  • Bancos nunca ligam solicitando senhas de acesso ou códigos de segurança por telefone.
  • Desconfie de ligações de supostos gerentes mesmo recebidas em horário comercial.
  • Desligue imediatamente a chamada suspeita e entre em contato pelo número oficial do banco.
  • Em caso de transferências não autorizadas via Pix, acione o Mecanismo Especial de Devolução (MED) no banco.
  • Registre boletim de ocorrência e preserve registros de chamadas e extratos bancários.
Transcrição completa

0:00:00 Samurai: Imagina a cena... O telefone toca exatamente às duas da tarde, em plena quarta-feira. A pessoa do outro lado fala com calma, tem todos os seus dados cadastrais e diz que é do seu banco.

0:00:12 Sara: Dá pra entender por que tanta gente cai, né? Dois da tarde... é exatamente o horário que o gerente da agência costuma ligar.

0:00:20 Samurai: Pois é. Só que a voz amigável não tava numa agência na capital. Ela vinha de uma chácara isolada, no interior de São Paulo. E você que tá nos ouvindo vai descobrir hoje como operava essa central clandestina, como seis pessoas dividiam o trabalho pra esvaziar contas bancárias e o que um dos presos confessou sobre o lucro do grupo. Eu sou o Samurai, e este é o CyberJustiça.

0:00:44 Sara: Samurai, essa história aconteceu em Jarinu, né? Cidade pequena, tranquila... Como que a polícia foi parar nessa chácara?

0:00:52 Samurai: Olha, Sara, tudo começou meses antes, em julho de dois mil e vinte e seis. Uma correntista mulher procurou a polícia depois de ter a conta limpa num golpe. E não foi pouco dinheiro... foram cinquenta e três mil e cem reais transferidos via Pix.

0:01:08 Sara: Cinquenta e três mil reais de uma vez só?! Isso é o trabalho de anos de uma pessoa!

0:01:13 Samurai: Exatamente. E quem assumiu essa apuração foi o ésse-ih-gê de Carapicuíba, que é o Setor de Investigações Gerais da Polícia Civil de São Paulo. Eles começaram a puxar o fio da meada ainda no meio do ano. Mas antes da gente entrar na invasão da chácara, tem uma regra básica que teria protegido essa vítima logo no primeiro minuto da ligação.

0:01:32 Sara: Qual regra, Samurai?

0:01:33 Samurai: Banco nenhum, absolutamente nenhum, liga pedindo senha de acesso, assinatura eletrônica ou código de verificação. Se quem te ligou pediu senha, pode desligar. Não importa se a pessoa sabe seu nome completo, seu cê-pê-éfe ou o final do seu cartão. Pediu senha? É golpe.

0:01:51 Sara: Mas eles tinham mesmo todos esses dados antes de discar?

0:01:56 Samurai: Tinham. E é aí que entra a engrenagem do crime, Sara. O esquema começava com a coleta prévia de dados cadastrais de correntistas. Eles não discavam a esmo na sorte... eles já sabiam com quem tavam falando.

0:02:08 Sara: Quer dizer que eles já chegavam com a ficha completa da vítima antes mesmo de discar o número... É assustador pensar que tinham acesso prévio a esses dados cadastrais bancários! E como eles convenciam a vítima a entregar a senha sem desconfiar?

0:02:24 Samurai: Com pura engenharia social. Os caras ligavam propositalmente em horários próximos ao de atendimento das agências bancárias. Esse detalhe de horário criava uma falsa sensação de segurança. A vítima pensava: 'bom, é horário comercial, o expediente tá aberto, deve ser o banco mesmo'.

0:02:41 Sara: Nossa... que malícia. Eles usam o nosso hábito contra a gente.

0:02:47 Samurai: Usam. E aí inventavam argumentos funcionais falsos... diziam que tavam confirmando uma transação, que precisavam atualizar um cadastro ou sanar uma divergência. Criavam um clima profissional até convencer a pessoa a passar dados pessoais e as senhas de acesso bancário.

0:03:04 Sara: Pera... e a pessoa que tava no telefone já fazia o Pix na mesma hora?

0:03:08 Samurai: Não. E essa divisão interna de tarefas é o que mais chama atenção nessa central. Quem ligava pra vítima não era quem operava o aplicativo do banco. A função do operador telefônico era só seduzir, enganar e arrancar a credencial.

0:03:24 Sara: Uma linha de montagem do crime dentro de uma casa...

0:03:27 Samurai: Uma linha de montagem, Sara. Assim que o golpista no telefone conseguia as senhas, ele repassava imediatamente esses dados para outros comparsas sentados na mesma sala. Esses outros integrantes pegavam os aparelhos da quadrilha, abriam os aplicativos das contas e executavam os desvios. Eles usavam celulares dedicados exclusivamente pra acessar as contas das vítimas naquele mesmo instante. Enquanto o comparsa mantinha a pessoa distraída na chamada, os outros operadores já executavam as transferências fraudulentas via Pix.

0:03:59 Sara: Tudo muito rápido, pra não dar tempo da vítima perceber o estrago no extrato...

0:04:04 Samurai: Exato. Eles faziam as transferências via Pix sem que a vítima tivesse sequer desligado a ligação em alguns casos. Foi assim que aquela mulher perdeu cinquenta e três mil e cem reais em julho. Mas os investigadores do ésse-ih-gê de Carapicuíba passaram quase três meses montando o quebra-cabeça... até chegarem no endereço exato.

0:04:24 Sara: E quando a polícia finalmente bateu lá na chácara?

0:04:27 Samurai: Foi numa quarta-feira, dia sete de outubro de dois mil e vinte e seis. Os policiais civis cumpriram mandados judiciais de busca e apreensão e de prisão temporária lá em Jarinu. Chegaram de surpresa no imóvel.

0:04:40 Sara: E quem tava lá dentro?

0:04:41 Samurai: Seis homens, com idades entre vinte e vinte e sete anos. Todos pegos no flagrante e autuados pelos crimes de organização criminosa e fraude eletrônica. A central inteira tava funcionando a todo vapor.

0:04:54 Sara: Rapazes tão jovens, de vinte a vinte e sete anos, já articulados em organização criminosa e fraude eletrônica... É impressionante como montaram uma estrutura tão profissional pra aplicar golpes. O que a polícia encontrou na chácara, Samurai?

0:05:11 Samurai: O arsenal tecnológico deles: vinte e nove celulares e vinte e seis chips de operadora. Além disso, apreenderam dois veículos que a quadrilha usava e cadernetas com várias anotações e dados de vítimas.

0:05:24 Sara: Pera, fiquei com uma dúvida... eu lembro de ter visto em legenda de reportagem algo sobre joias e dinheiro apreendido. Isso é verdade?

0:05:34 Samurai: Muito bem lembrado. Teve reportagem que colocou em legenda de foto menção a relógios, joias e dinheiro vivo. Mas o relatório oficial da Secretaria de Segurança Pública confirma apenas os vinte e nove celulares, os vinte e seis chips, os dois veículos e as cadernetas. Aqui no CyberJustiça a gente separa fato confirmado de boato de legenda.

0:05:55 Sara: E você falou no começo que um deles confessou a divisão do dinheiro...

0:05:59 Samurai: Sim, a promessa do início. No interrogatório policial, um dos investigados admitiu com todas as letras que recebia uma porcentagem, um percentual direto sobre o valor que conseguia arrancar de cada correntista enganado. Quanto maior o golpe, maior a comissão.

0:06:15 Sara: Comissão pra roubar quem trabalhou a vida toda... É revoltante.

0:06:20 Samurai: É a mercantilização da fraude. Agora, é importante deixar claro pro ouvinte: o caso não tá encerrado. Os seis homens continuam presos e à disposição da Justiça, mas a Polícia Civil segue com o inquérito em andamento. Eles tão mapeando outras vítimas que foram lesadas por essa mesma central e caçando outros comparsas. Como a polícia apreendeu cadernetas com anotações e dados de correntistas, os investigadores agora trabalham pra cruzar essas informações e identificar novas vítimas que sofreram prejuízos com o grupo criminoso de Jarinu.

0:06:53 Sara: E quem caiu num golpe parecido ou desconfia que passou dados... o que deve fazer agora, Samurai?

0:06:59 Samurai: Vamos ao passo a passo que protege. Primeiro: se você recebeu uma chamada suspeita e passou alguma senha, não espere o golpe acontecer. Entre imediatamente no aplicativo oficial do seu banco por outro aparelho ou ligue nos canais oficiais pra bloquear o acesso e trocar as credenciais.

0:07:17 Sara: E se o dinheiro já tiver saído da conta via Pix?

0:07:21 Samurai: Se a transferência via Pix já aconteceu, avise o seu banco na mesma hora e solicite a abertura do Mecanismo Especial de Devolução, o éme-é-dê. Esse mecanismo foi criado pelo Banco Central pra tentar rastrear e bloquear o saldo na conta receptora antes que os golpistas consigam pulverizar o montante. E faça essa solicitação sem demora, Sara. Notificar a instituição financeira pelo canal oficial logo após o Pix é decisivo pra tentar reter esses valores antes que a quadrilha pulverize o saldo da conta.

0:07:52 Sara: E o boletim de ocorrência, não pode esquecer!

0:07:56 Samurai: Fundamental, Sara. Registre o boletim de ocorrência na Polícia Civil, leve o comprovante das transferências, o número de telefone que te ligou e o extrato bancário. O passo a passo completo pra quem caiu em fraude tá disponível em cyberjus ponto org, na página Fui vítima.

0:08:12 Sara: Lembra daquela ligação que você atendeu às duas da tarde, achando que era o seu gerente? Podia ser alguém numa chácara com vinte e nove celulares na mesa só esperando você falar a sua senha.

0:08:24 Samurai: Exatamente. Então faz o seguinte: pega esse episódio e manda agora mesmo no grupo da família e pra alguém que costuma confiar em ligação de banco. A informação certa evita prejuízos de dezenas de milhares de reais. Até o próximo episódio.

Continue ouvindo

Episódios relacionados

EP 06

Pix e a devolução fraudulenta: como o MED ampliou prazo e rastreamento

O MED no Pix agora tem 80 dias para contestação e rastreia dinheiro mesmo após passar por outras contas. Saiba como se proteger do golpe da devolução.

Ameaça alta Fraudes digitais
EP 01

Falso advogado: R$ 2 milhões perdidos e quadrilha presa no Ceará

Uma idosa do Paraná perdeu R$ 2 milhões para golpistas que se passavam pelo advogado dela. Como o golpe funcionava e como a polícia chegou ao Ceará.

Ameaça crítica Fraudes digitais